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Segundo Positive Technologies, Reino Unido não está sozinho na decisão; excluir a Huawei resultaria em custos adicionais e atraso nas implantações.

Noticiários locais afirmam que o primeiro-ministro britânico Boris Johnson está se preparando para conceder acesso à futura rede de telecomunicações 5G do Reino Unido para a chinesa Huawei Technologies Co. A participação da Huawei estaria limitada a partes "não-contenciosas" do serviço 5G no país. Relatórios anteriormente publicados sugerem que, nessas áreas, os danos potenciais da vigilância chinesa, se existentes, seriam limitados.

Vazamentos anteriores sugeriram que todas as quatro maiores operadoras do Reino Unido (EE, O2, Three e Vodafone) usavam equipamentos da Huawei em suas redes 5G. Apesar da possibilidade de que a China possa incumbir a Huawei de usar equipamentos para espionar alvos do Reino Unido, as operadoras também estariam de olho nos fortes incentivos comerciais para adotar equipamentos da chinesa, o que poderia ajudá-las a construir redes mais heterogêneas, com menor probabilidade de falhar, e forçar gigantes de telecomunicações como Ericsson e Nokia a oferecer preços mais competitivos.

De acordo com a Positive Technologies, empresa global de cibersegurança, se o Reino Unido tomar a decisão de não excluir a Huawei das redes 5G do país, não estará sozinho, já que a Alemanha fez anúncio similar mais recentemente. "É provável que os governos estejam percebendo que restrições a provedores como Huawei custará às suas economias, que poderão ser superadas por outros países que estão mais dispostos a trabalhar com fornecedores chineses", afirma Giovani Henrique, Managing Director da Positive Technologies. "Além disso, a Huawei já está incorporada ao ecossistema 5G, com muitas operadoras móveis implementando redes com sua tecnologia. Informações divulgadas no início do ano sugeriam que Vodafone, O2, EE e Three já estavam usando a Huawei", completa.

Segundo o executivo, o problema não pode ser resolvido com uma solução tão simples quanto a troca imediata de fornecedores. "Se a Huawei for retirada como opção, todo esse processo - incluindo testes - teria que ser iniciado novamente. A realidade é que os fornecedores que poderiam intervir e preencher esta lacuna foram tão ultrapassados comercialmente pela Huawei que qualquer substituição resultaria em custos adicionais e atraso nas implantações", conclui.